A fé não pega Deus de surpresa nem o faz abandonar seus propósitos. Mas isso não quer dizer que nossa fé não faça diferença. A Bíblia mostra Deus agindo em resposta a pessoas que confiam nele. O ponto é que ele não precisa mudar de plano para responder a elas.
Pense em Jericó. Antes de as muralhas caírem, Deus já havia dito a Josué que entregaria a cidade ao povo de Israel. Depois, o povo seguiu as instruções que recebeu, e as muralhas caíram (Josué 6:2-5, 20; Hebreus 11:30). A fé deles não convenceu Deus a fazer algo que ele não pretendia fazer. Foi pela fé que eles obedeceram e participaram do que Deus havia prometido.
Isso ajuda a entender por que Jesus, em algumas ocasiões, relacionou uma cura à fé de quem a recebeu (Mateus 9:22; Lucas 17:19). Ele não estava ensinando que a fé é uma força capaz de controlar Deus. Aquelas pessoas confiaram nele, foram até ele e receberam sua ajuda. Em Nazaré aconteceu o contrário: muitos rejeitaram Jesus, e ali ele realizou poucos milagres (Marcos 6:1-6). O texto não quer dizer que a falta de fé das pessoas tirou o poder de Jesus. Ele até curou alguns enfermos. Mostra, porém, que a incredulidade delas teve consequências reais.
Então faz sentido orar com fé? Faz, sim. Deus nos chama a confiar nele, a pedir e a obedecer (Mateus 7:7-11; Hebreus 11:6). Nossas orações e escolhas importam. Só não podemos concluir que, se tivermos fé suficiente, Deus será obrigado a fazer exatamente o que pedimos. Até Jesus, ao orar antes de morrer, apresentou seu desejo ao Pai e se submeteu à vontade dele (Mateus 26:39).
Há cristãos que explicam de maneiras diferentes como o plano soberano de Deus se relaciona com as escolhas humanas. Mas a resposta prática à pergunta é clara: a fé não serve pra mudar a vontade de Deus; ela nos leva a confiar nele e a responder ao que ele diz. E Deus, que conhece nossas orações antes mesmo de as fazermos, pode escolher agir por meio delas.