Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

A campanha “He Gets Us” apresenta o Jesus da Bíblia?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Em parte, sim — mas os anúncios, por si só, não contam a história toda. A campanha acerta ao lembrar que Jesus viveu entre pessoas comuns, conheceu o sofrimento e tratou com dignidade gente que muitos desprezavam. Isso aparece nos Evangelhos. O cuidado é não parar aí, como se Jesus tivesse vindo apenas pra mostrar que entende as nossas dificuldades.

Ele entende, sim. Jesus sentiu fome, cansaço e tristeza; enfrentou rejeição e foi tentado, sem pecar (Hebreus 4:15). Mas ele também anunciou o reino de Deus, chamou as pessoas ao arrependimento, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (Marcos 1:15; 1 Coríntios 15:3–4). Sem isso, alguém pode gostar do Jesus mostrado num anúncio e ainda não entender a mensagem central da Bíblia sobre ele.

O comercial exibido no Super Bowl de 2024 ajuda a mostrar tanto o valor quanto o limite da campanha. Ele apresentou pessoas lavando os pés de outras, junto da ideia de que Jesus não ensinou o ódio. A lição de humildade tem fundamento: Jesus lavou os pés dos discípulos e lhes disse que seguissem seu exemplo de serviço (João 13:1–17). Cristãos não devem tratar ninguém com desprezo, inclusive quem discorda deles.

Ao mesmo tempo, lavar os pés naquele episódio não significava concordar com tudo o que outra pessoa fazia ou acreditava. Jesus se aproximava de pessoas rejeitadas, mas também as chamava a uma vida transformada (Lucas 5:30–32). Por isso, imagens que envolvem assuntos como aborto e sexualidade podem ser entendidas de maneiras bem diferentes. Se a mensagem é “trate essas pessoas com amor e humildade”, ela está de acordo com o ensino de Jesus. Se for entendida como “amar exige aprovar todas as escolhas”, ela deixa de mostrar uma parte importante desse ensino. O anúncio não esclarece bem essa diferença.

Há uma preocupação parecida com frases que aproximam a vida de Jesus de situações atuais. Por exemplo, José e Maria levaram Jesus ao Egito para escapar de Herodes; Mateus conta isso claramente (Mateus 2:13–15). É possível reconhecer uma semelhança com famílias que hoje fogem do perigo. Mas não precisamos acrescentar detalhes que o texto bíblico não dá nem tratar duas situações diferentes como se fossem idênticas.

Também não há nada de errado em usar anúncios pra despertar o interesse das pessoas por Jesus. Um anúncio pode iniciar uma conversa; ele não precisa explicar toda a fé cristã em poucos segundos. O importante é o que vem depois: a pessoa precisa ter a oportunidade de conhecer Jesus pelas Escrituras, entender sua morte e ressurreição e ouvir seu chamado ao arrependimento e à fé. Como a campanha pode encaminhar interessados a diferentes grupos e igrejas, vale examinar com cuidado o ensino que eles receberão (1 João 4:1).

Então, a melhor resposta não é dizer que “He Gets Us” é totalmente bíblica nem rejeitar tudo o que ela mostra. Ela destaca aspectos verdadeiros de Jesus, mas pode deixar pontos essenciais sem explicação e algumas mensagens abertas a interpretações equivocadas. Se um anúncio levar alguém a perguntar quem Jesus é, isso pode ser uma boa oportunidade. A resposta completa, porém, precisa vir dos Evangelhos — não da campanha.