Deus não estava ausente naquele dia. Mas, pra quem perdeu alguém nos ataques de 11 de setembro de 2001, ouvir apenas que “Deus estava no controle” pode soar como se a dor não importasse. A pergunta mais difícil é outra: se Deus podia impedir aquilo, por que não impediu? A Bíblia não revela o motivo específico pelo qual ele permitiu aqueles ataques. Seria injusto fingir que sabemos.
Ela deixa claro, porém, que a maldade praticada naquele dia foi responsabilidade de quem a praticou. Deus não precisa aprovar um ato para permitir que ele aconteça. Isso não resolve toda a dificuldade — afinal, ele poderia tê-lo impedido —, mas impede que chamemos de boa uma violência que foi má.
Também não devemos dizer que as vítimas morreram porque eram mais pecadoras do que outras pessoas. Jesus rejeitou esse tipo de conclusão ao falar de pessoas mortas quando uma torre caiu em Jerusalém. Em vez de explicar a tragédia como um castigo particular contra elas, ele lembrou aos ouvintes que todos precisam se voltar pra Deus (Lucas 13:4-5).
O próprio Jesus nos mostra que confiar em Deus não significa tratar a morte com frieza. Diante do túmulo de seu amigo Lázaro, ele chorou, mesmo sabendo que o ressuscitaria (João 11:33-35, 43-44). Por isso, há lugar pra lágrimas, perguntas e lamento na vida de quem crê. A fé cristã não exige que uma família encontre algo de bom na morte de quem ama.
Então, o que significa dizer que Deus continuava no controle? Não significa que os ataques foram bons, nem que conhecemos um benefício que os justificaria. Significa que a maldade humana não tem a última palavra sobre o que Deus fará. Na morte de Jesus, vemos uma razão pra essa esperança: pessoas agiram perversamente ao condená-lo, e Deus, sem deixar de condenar aquele mal, agiu por meio da morte e da ressurreição de Cristo pra oferecer perdão e vida (Atos 2:23-24).
Romanos 8:28 diz que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam. Essa promessa não diz que todas as coisas são boas, nem nos autoriza a apontar uma consequência positiva e chamá-la de explicação para o 11 de setembro. O mesmo capítulo fala de sofrimento e afirma que nada pode separar os que pertencem a Cristo do amor de Deus (Romanos 8:35-39).
Portanto, a resposta honesta é esta: Deus estava presente, mas não nos disse por que permitiu aquela tragédia. Podemos condenar o mal sem hesitar, chorar com quem sofre e levar a Deus perguntas que continuam sem resposta. A esperança cristã não é que toda perda faça sentido agora. É que Deus não abandonou este mundo e prometeu um futuro em que a morte e o sofrimento terão fim (Apocalipse 21:4).