A mais clara é a profecia de Jesus sobre a destruição do templo. Quando os discípulos admiravam aquele edifício, ele disse que suas pedras seriam derrubadas (Mateus 24:1-2; Lucas 21:5-6). Isso aconteceu no ano 70 d.C., quando o exército romano tomou Jerusalém e destruiu o templo.
Jesus também anunciou um sofrimento terrível pra cidade. Ele falou de Jerusalém cercada por exércitos, de pessoas mortas e levadas como prisioneiras (Lucas 21:20-24). Em outra ocasião, lamentou que a cidade seria cercada e arrasada (Lucas 19:41-44). Essas palavras correspondem ao que aconteceu durante a guerra contra Roma. Por isso, há boas razões pra entender que essas profecias se cumpriram naquele período, especialmente em 70 d.C. A advertência de Jesus às mulheres de Jerusalém sobre dias de grande sofrimento também pode ser entendida nesse contexto (Lucas 23:27-31).
A dúvida começa quando perguntamos se tudo o que Jesus disse sobre o futuro se cumpriu naquela época. Em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21, a destruição do templo aparece perto de ensinamentos sobre a vinda de Jesus. Alguns cristãos entendem que boa parte dessa linguagem descreve os acontecimentos de 70 d.C. Outros entendem que Jesus passou a falar também de acontecimentos que ainda virão. A diferença está em como cada um entende a passagem de um assunto ao outro e as expressões que Jesus usou.
Há discussões parecidas sobre Daniel 9:26, que fala da destruição de uma cidade e de um santuário, e sobre partes do Apocalipse. É possível relacionar esses textos à queda de Jerusalém, mas essa relação exige interpretação; não tem a mesma clareza da previsão direta de Jesus sobre o templo. No caso do Apocalipse, até a data em que o livro foi escrito faz parte do debate.
Portanto, podemos afirmar com segurança que a destruição do templo e os graves sofrimentos de Jerusalém anunciados por Jesus se cumpriram nos acontecimentos de 70 d.C. Isso não significa que todas as profecias bíblicas já se cumpriram. O Novo Testamento ainda apresenta a volta de Cristo e a ressurreição dos mortos como partes essenciais da esperança cristã (Atos 1:11; 1 Coríntios 15:22-26, 51-52).