Os “400 anos de silêncio” são o período entre os últimos profetas do Antigo Testamento e a chegada de João Batista, que anunciou a vinda de Jesus. A expressão não quer dizer que Deus abandonou seu povo ou que nada importante aconteceu nesse tempo. Quer dizer que não temos, desse período, uma nova mensagem profética reconhecida como parte das Escrituras pelos cristãos evangélicos.
O número 400 é aproximado. O livro de Malaquias foi escrito alguns séculos antes de Cristo. Nele, Deus denuncia pecados do povo e dos sacerdotes, mas também promete enviar um mensageiro que prepararia o povo pra sua vinda (Malaquias 3:1; 4:5-6). Quando os Evangelhos começam, João Batista aparece chamando as pessoas ao arrependimento e preparando o caminho pra Jesus. O próprio Jesus relaciona João à promessa sobre a vinda de Elias (Mateus 11:13-14; 17:10-13).
O silêncio, portanto, não foi uma pausa na história. Durante esses séculos, o povo judeu passou pelo domínio de diferentes potências. A cultura e a língua gregas se espalharam, as Escrituras hebraicas começaram a ser traduzidas pro grego, e houve perseguição religiosa e uma revolta judaica que levou à retomada do templo. Mais tarde, Roma passou a dominar a região. Esse cenário ajuda a entender por que, no tempo de Jesus, encontramos sinagogas, fariseus, saduceus e governantes como Herodes.
Também é bom ter cuidado com a palavra “silêncio”. A Bíblia não afirma que Deus ficou absolutamente sem agir ou sem ouvir as orações das pessoas durante aqueles anos. A expressão se refere à falta de novos livros proféticos nesse intervalo, não à ausência de Deus.
Assim, quando João Batista começa a pregar, a espera anunciada pelos profetas ganha um novo capítulo. Ele não se apresenta como o Salvador: sua missão é preparar as pessoas pra receber Jesus. E é em Jesus que os Evangelhos mostram o cumprimento da promessa central que atravessa toda essa história (Marcos 1:1-4; João 1:29-34).