Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que são os 42 Artigos e os 39 Artigos da Igreja da Inglaterra? Os **42 Artigos** e os **39 Artigos** são duas versões de uma declaração de fé da Igreja da Inglaterra. Eles surgiram durante a Reforma Protestante, quando a igreja inglesa precisava deixar claro o que ensinava sobre a Bíblia, a salvação, a igreja e os sacramentos. Não foram escritos pra explicar toda a fé cristã em detalhes, mas pra tratar de questões que estavam sendo discutidas naquela época. A versão de **42 artigos foi publica

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Jesus Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem; ele morreu pelos nossos pecados.
3. Cristo morreu, foi sepultado e desceu ao lugar dos mortos. O artigo é breve e não explica em detalhes o sentido dessa descida.
4. Cristo ressuscitou corporalmente, subiu ao céu e voltará pra julgar.
5. O Espírito Santo é Deus, da mesma natureza do Pai e do Filho.
6. A Escritura contém tudo o que é necessário pra salvação. O artigo também distingue os livros usados pra estabelecer doutrina de outros livros lidos pela igreja como instrução.
7. O Antigo e o Novo Testamento não se contradizem quanto à salvação. Os cristãos não estão obrigados a seguir as antigas leis cerimoniais e civis de Israel, mas continuam chamados a obedecer aos mandamentos morais de Deus.
8. Os credos cristãos históricos ali mencionados devem ser aceitos porque seus ensinamentos podem ser fundamentados na Escritura.

Sobre o pecado e a salvação

9. O pecado não é apenas imitação do mau exemplo de Adão: ele afeta a natureza humana.
10. Ninguém consegue, por sua própria força, voltar-se pra Deus e fazer o que lhe agrada sem a graça divina.
11. Somos declarados justos diante de Deus pelos méritos de Cristo, mediante a fé, não por merecimento das nossas obras.
12. As boas obras não compram a salvação; elas são fruto de uma fé viva.
13. Obras feitas antes da justificação não dão a alguém o direito de receber a graça de Deus.
14. Ninguém pode fazer por Deus “mais do que devia” e, assim, acumular méritos além da obediência que lhe é devida.
15. Só Cristo viveu sem pecado.
16. Quem peca depois do batismo não deve ser considerado automaticamente incapaz de se arrepender e receber perdão.
17. A escolha de Deus em Cristo é apresentada como motivo de consolo, não como desculpa pro desespero ou pra uma vida descuidada.
18. A salvação é encontrada em Jesus Cristo, não simplesmente na sinceridade com que alguém segue uma religião.

Esse grupo de artigos dá bastante atenção a uma distinção importante: as boas obras têm valor, mas não são a causa da nossa aceitação por Deus. Efésios 2:8-10 apresenta as duas ideias juntas: a salvação é pela graça, mediante a fé, e quem foi salvo é chamado a praticar boas obras.

Sobre a igreja e os sacramentos

19. A igreja visível é reconhecida onde a Palavra de Deus é anunciada e os sacramentos são administrados conforme a ordem de Cristo. Igrejas podem errar, inclusive em questões de fé.
20. A igreja pode organizar seus ritos e tratar de controvérsias, mas não tem autoridade pra contrariar a Escritura nem pra exigir, como condição de salvação, algo que ela não ensina.
21. Concílios da igreja também podem errar; suas decisões precisam ser avaliadas à luz da Escritura.
22. O artigo rejeita certas doutrinas e práticas associadas à Igreja de Roma no tempo da Reforma, entre elas o purgatório e a invocação dos santos.
23. A pregação pública e a administração dos sacramentos exigem um chamado reconhecido pela igreja.
24. As orações públicas e os sacramentos devem ser realizados numa língua que o povo entenda. A preocupação era, por exemplo, com cultos em latim para pessoas que não compreendiam latim.
25. Batismo e Ceia do Senhor são os dois sacramentos instituídos por Cristo no evangelho. O artigo os distingue de outras práticas da vida da igreja, como casamento e ordenação.
26. A conduta pecaminosa de um ministro não anula, por si só, aquilo que Cristo instituiu; ainda assim, ministros culpados devem ser julgados e, quando cabível, afastados.
27. O batismo é mais do que uma identificação pública com o cristianismo: o artigo o relaciona às promessas de Deus e defende o batismo de crianças.
28. Na Ceia, os fiéis participam de Cristo pela fé, de maneira espiritual. O artigo rejeita a transubstanciação, isto é, a ideia de que o pão e o vinho mudam de substância e se tornam o corpo e o sangue de Cristo.
29. Uma pessoa sem fé pode receber o pão e o vinho, mas não participa de Cristo apenas por fazer isso.
30. Tanto o pão quanto o cálice devem ser oferecidos ao povo na Ceia.
31. O sacrifício de Cristo na cruz foi feito uma vez por todas; ele não precisa ser repetido como uma nova oferta pelo pecado.

Há aqui pontos que cristãos evangélicos de outras tradições entendem de maneira diferente, especialmente o batismo de crianças e a forma de explicar a Ceia do Senhor. A lista descreve o ensino histórico dos artigos, sem afirmar que não haja discussão bíblica sobre esses temas.

Sobre a vida e a organização da igreja

32. Bispos, presbíteros e diáconos podem se casar.
33. Uma pessoa justamente excluída da comunhão da igreja deve ser tratada como alguém que precisa se arrepender e ser reconciliado. O artigo fala de disciplina da igreja, não de uma licença pra desprezar a pessoa.
34. Igrejas podem ter costumes e cerimônias diferentes, desde que não contrariem a Palavra de Deus e sirvam ao bem da comunidade.
35. Certos sermões escritos, chamados *Homilias*, são reconhecidos como material de ensino pra igreja.
36. Os ritos estabelecidos pra ordenar ministros e consagrar bispos são considerados legítimos.
37. O artigo trata da autoridade civil e da relação entre o governo e a igreja, no contexto da Inglaterra daquela época.
38. Cristãos podem possuir bens próprios, mas devem repartir com generosidade com quem passa necessidade.
39. Juramentos falsos ou feitos sem cuidado são condenados; um juramento sério e verdadeiro, exigido numa situação justa, é permitido.

A ideia que une muitos desses artigos é fácil de perceber: a igreja deve ensinar a fé cristã e organizar sua vida sem colocar sua autoridade acima da Bíblia. Ao mesmo tempo, os artigos mostram escolhas próprias da Reforma inglesa — como a defesa do batismo infantil e de uma forma específica de governo da igreja.

Um cuidado ajuda a evitar confusão quando você encontra os artigos em livros ou sites: algumas versões publicadas por igrejas anglicanas ou episcopais fora da Inglaterra trazem adaptações, sobretudo nos pontos ligados ao governo inglês. Por isso, o texto de uma edição americana, por exemplo, nem sempre é idêntico ao texto histórico da Igreja da Inglaterra.