Pastor Antônio Junior

O que significa “tempo de rasgar e tempo de costurar” em Eclesiastes 3:7?

Eclesiastes está dizendo que há momentos em que algo precisa ser desfeito e momentos em que precisa ser reparado. Pra entender a imagem, ajuda lembrar um costume dos tempos bíblicos: quando alguém recebia uma notícia terrível, podia rasgar a própria roupa como sinal de dor. Rúben fez isso ao descobrir que José não estava onde esperava encontrá-lo (Gênesis 37:29).

Assim, “tempo de rasgar” pode nos fazer pensar em perdas e acontecimentos dolorosos. “Tempo de costurar” traz a imagem de juntar o que foi separado e consertar o que se rompeu. Mas é bom não ir além do que o versículo diz: Eclesiastes não afirma que, depois de cada tragédia, as pessoas costuravam a roupa que tinham rasgado, nem promete que toda perda será desfeita nesta vida.

A frase faz parte de uma lista de situações opostas em Eclesiastes 3:1-8: nascer e morrer, chorar e rir, calar e falar. O ponto é que a vida não é sempre igual. Há ocasiões diferentes, e precisamos reconhecer o que cada uma pede de nós. Por isso, a frase seguinte — “tempo de calar e tempo de falar” — reforça a mesma ideia: nem toda atitude é apropriada em todo momento.

O versículo também não é uma ordem pra romper relacionamentos sempre que eles se tornam difíceis, nem uma promessa de que toda relação rompida deve ser retomada. Essas decisões exigem cuidado e outros ensinamentos bíblicos. Aqui, a lição é mais ampla e mais simples: nem sempre é hora de manter tudo como está; nem sempre é hora de deixar tudo separado. Há tempo pra sentir uma perda, e há tempo pra cuidar daquilo que pode ser reparado. Deus nos convida a viver com sabedoria em cada uma dessas ocasiões (Eclesiastes 3:1).