Depende do que se quer dizer com “seita”. Em algumas conversas cristãs, a palavra é usada pra descrever um grupo que se apresenta como cristão, mas ensina algo diferente em pontos essenciais da fé. Nesse sentido, o mormonismo pode ser chamado de seita. Mas, no uso comum, a palavra muitas vezes sugere um grupo perigoso ou abusivo. Ela não prova nada disso sobre uma pessoa mórmon e pode atrapalhar a conversa antes mesmo que as diferenças sejam explicadas.
O nome oficial da principal igreja mórmon é Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Seus membros se consideram cristãos, creem em Jesus e leem a Bíblia. Por isso, a questão não é se eles falam de Cristo. A questão é o que sua igreja ensina sobre Deus, sobre Jesus e sobre como somos salvos.
Uma diferença importante está no entendimento de Deus. A fé cristã histórica ensina que há um só Deus e que Pai, Filho e Espírito Santo são distintos, mas compartilham a mesma natureza divina. Os santos dos últimos dias também falam do Pai, do Filho e do Espírito Santo, porém não entendem sua unidade dessa maneira. Além disso, seus ensinamentos sobre a natureza de Deus e a possibilidade de seres humanos alcançarem exaltação vão além do que o cristianismo histórico reconhece como ensino bíblico. Compare, por exemplo, Isaías 43:10 e João 1:1-3 com Doutrina e Convênios 130:22 e 132:19-20.
Também há uma diferença na forma de entender a autoridade religiosa. Os cristãos evangélicos recebem a Bíblia como a autoridade escrita que orienta sua fé. A Igreja dos Santos dos Últimos Dias aceita, além dela, o Livro de Mórmon e outros escritos como Escrituras, e reconhece profetas atuais. Assim, quando surge uma dúvida sobre o que Deus revelou, os dois grupos não partem das mesmas fontes.
Quanto à salvação, é importante não dizer de forma simplista que os mórmons acreditam em “salvação só por obras”. Eles falam da graça de Cristo. A diferença é que seus ensinamentos sobre a salvação e a exaltação incluem convênios e ordenanças religiosas que não fazem parte da explicação evangélica do evangelho. Efésios 2:8-10 ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, não como resultado das nossas obras; as boas obras vêm depois, como fruto dessa salvação.
Essas diferenças não são pequenas, mas também não é preciso exagerá-las. Por exemplo, dizer simplesmente que os mórmons ensinam que “Jesus foi criado” pode levar a uma ideia errada sobre o que eles próprios afirmam. É mais preciso dizer que seu entendimento de Jesus e de sua relação com o Pai é diferente do ensino cristão histórico.
Portanto, se “seita” estiver sendo usada como uma classificação teológica bem definida, a resposta é sim. Numa conversa com um membro da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, porém, costuma ser mais claro e respeitoso dizer diretamente: *“Sua igreja e o cristianismo evangélico ensinam coisas diferentes sobre Deus, Jesus, as Escrituras e a salvação.”* Isso permite falar com honestidade sobre a fé, sem usar uma palavra que a outra pessoa talvez entenda apenas como ofensa. Efésios 4:15 nos chama justamente a unir verdade e amor.








