Pastor Antônio Junior

Por que o sacrifício de Jesus foi melhor do que os sacrifícios dos sacerdotes de Israel?

A diferença principal é esta: os sacrifícios de animais precisavam ser repetidos; Jesus ofereceu a própria vida uma vez, e seu sacrifício é suficiente para nos dar perdão e acesso a Deus. É assim que o livro de Hebreus explica a relação entre aqueles sacrifícios e a morte de Cristo (Hebreus 9:11-14; 10:1-14).

Na lei que Deus deu a Israel, os sacerdotes da família de Levi ofereciam sacrifícios pelo povo. Isso fazia parte da maneira como Deus havia ensinado Israel a lidar com o pecado. Portanto, não eram cerimônias sem valor. Mas também não eram a solução definitiva. Ano após ano, os sacrifícios continuavam, porque o sangue dos animais não podia, por si só, remover o pecado e resolver de uma vez por todas a situação das pessoas diante de Deus (Hebreus 10:1-4).

Havia também uma diferença entre os sacerdotes e Jesus. Os sacerdotes de Israel eram pecadores: precisavam de sacrifícios pelos próprios pecados antes de oferecer sacrifícios pelo povo. Além disso, morriam e eram substituídos. Jesus não tinha pecado e não precisava oferecer nada por si mesmo. Ele morreu, ressuscitou e vive para sempre; por isso, continua a agir em favor dos que se aproximam de Deus por meio dele (Hebreus 7:23-27).

Jesus fez, então, algo que nenhum daqueles sacerdotes podia fazer. Ele não levou a Deus o sangue de um animal: entregou a própria vida. Hebreus diz que, com esse único sacrifício, ele realizou o que os sacrifícios repetidos não conseguiam realizar. Isso não quer dizer que todo pecado de toda pessoa esteja automaticamente perdoado. Quer dizer que o sacrifício necessário já foi feito e não precisa ser repetido; por meio de Jesus, os que se aproximam de Deus recebem perdão (Hebreus 9:25-28; 10:11-14, 19-22).

Esse acesso a Deus é outra parte importante da resposta. No templo, uma cortina separava o Lugar Santíssimo, e somente o sumo sacerdote podia entrar ali, uma vez por ano, levando sangue de um sacrifício. Hebreus usa essa restrição pra mostrar que aqueles rituais ainda não tinham aberto plenamente o caminho até Deus. Pela morte de Jesus, porém, podemos nos aproximar de Deus com confiança (Hebreus 9:6-8; 10:19-22). Quando Jesus morreu, a cortina do templo se rasgou; esse acontecimento ajuda a entender o que sua morte tornou possível (Mateus 27:50-51).

Então, o sacrifício de Jesus é melhor não porque os sacrifícios antigos fossem um erro. Eles tinham seu lugar na aliança que Deus fez com Israel, mas eram temporários. Jesus realizou aquilo pra que eles apontavam: ofereceu um sacrifício suficiente, que não precisa ser repetido, e abriu o caminho pra nos aproximarmos de Deus.