A Bíblia não diz que Jesus falou em línguas no sentido do dom espiritual descrito no Novo Testamento. Ela registra palavras dele em idiomas usados naquela época, mas não relata nenhuma ocasião em que tenha falado de modo sobrenatural uma língua que não havia aprendido.
Vale separar essas duas coisas. Falar mais de um idioma não é, por si só, o dom de línguas. Em Atos 2, quando os discípulos receberam o Espírito Santo, pessoas de vários lugares ouviram as maravilhas de Deus em suas próprias línguas. Já em 1 Coríntios 12–14, Paulo trata do dom de línguas na vida da igreja e insiste que, numa reunião, aquilo que é dito precisa ser compreendido ou interpretado pra edificar os outros. Cristãos entendem de maneiras diferentes alguns detalhes dessas passagens, mas nenhum desses textos afirma que Jesus exerceu esse dom.
Os Evangelhos preservam algumas palavras de Jesus em aramaico, idioma comum entre os judeus da região, como as que ele disse à filha de Jairo (Marcos 5:41). Isso mostra Jesus falando uma língua conhecida, não recebendo naquele momento uma capacidade sobrenatural de falar outra língua. Também há passagens em que ele suspira ou geme (Marcos 7:34; 8:12), mas um suspiro não é o mesmo que falar em línguas.
E o batismo de Jesus? O Espírito Santo desceu sobre ele naquela ocasião (Marcos 1:10–11), mas o relato não diz que Jesus falou em línguas. Também não precisamos concluir que ele *teria* de fazê-lo. Paulo pergunta, em 1 Coríntios 12:30, se todos falam em línguas; a pergunta mostra que esse dom não era uma manifestação obrigatória da ação do Espírito.
Então, a resposta mais fiel ao que sabemos é: Jesus pode ter falado mais de um idioma, mas a Bíblia não registra que ele tenha exercido o dom de línguas. Dizer que ele certamente falou em línguas iria além do que os relatos bíblicos nos contam.








